INFLUÊNCIA DA MÚSICA AFRICANA NO MUNDO
A diáspora africana foi um grande ganho para a música, que absorveu muito dessa cultura milenar.
Samba, coco, afrobeat, maracatu, jazz, maxixe, blues, rock, jongo, songo, congo de ouro, funk, pagode, choro, baião, reggae, rap, salsa, rumba, guaganco, candombe, techno, cururu, house são poucos dos muitos ritmos, ou, estilos musicais para as tribos cosmopolitas, que descendem da África. Trazem a alma, a sabedoria, criatividade, a inteligência, a sensualidade, a fé, a energia e muitos outros atributos, para influenciar novas criações, variações e inspirações que resultam neste mar de informação musical que vivenciamos. É comum encontrar escalas, instrumentos, harmonias, provenientes da África antiga mesmo nas orquestras sinfônicas. Ou, disfarçados em seu lirismo, os ritmos dos Orixás, suavemente transfigurados em ritmos que embalam as noites, bares, restaurantes, convenções, festas do mundo.
Por não ter registros de forma escrita, grande parte da musica africana só foi preservada graças às famílias, tribos, insurgências, historias, revoltas, guerras, lendas que são preservadas pela cultural oral. Transmitidas por Griôs que herdam as historias de seus ancestrais, pois as aprendem ao longo de sua vida desde a infância.
A influencia da musica africana é tão vasta e variada, que não é possível desenvolver uma pesquisa que seja totalitária ou abrangente ao pan-africanismo. Afinal, é muito difícil saber com exatidão qual a origem de cada feição, sotaque e movimento, não apenas sonoro, como também de cada ser e toda essa cultura já miscigenada. Mas, podemos discorrer um pouco sobre alguns temas.
Um caso que explica bem as famílias de músicos que preservam sua historia, é o dos Djidius, portadores do conhecimento das infindáveis melodias contidas nas cordas reverberando em uma pele animal fina, presas a uma cabaça por um pedaço de madeira. O som deste instrumento é como uma harpa tocada na água, a chamada Kora. Encontrada no Mali e Senegal é mais um instrumento Mandingue. Os Didjus hoje são mais vulneráveis ao o ocidente e por isso permitem que sejam repassadas as técnicas da Kora, mas apenas um estudo de vivencia desde a infância é que permite o pleno domínio. Representantes e conhecedores do instrumento dizem que também é tradicional ou mesmo original de Guiné Bissau. São popularmente encontrados em grupos de Hip Hop e bandas em toda a região de Burkina Faso. A cantora islandesa Bjork gravou o instrumento em um de seus álbuns.. Mesmo assim poucos fãs têm idéia da riqueza e da ancestralidade do mesmo.
TUMKITIKITAKITA TUDUM TUDUM TUM, É O MARACA.......?? Ouço o som de alfaias, gonguês e a caixa de guerra. Guitarras elétricas? Maracatu, coroação dos negros Bantu em cortejo, hoje tocado por alfaias que chegaram com os Malês e também misturado as influencias européias e ameríndias. Deparado ao pop rock, PROTESTO! E temos o Manguebeat, que mistura Coco repente com Hip Hop ao som dos mundialmente famosos, Mundo Livre S/A, Nação Zumbi entre outros. Movimento que surgiu nos anos 90 que foi mais uma revelação de uma década que antecedeu este novo século.
Puíta, tambor de onça, cuíca. Corpo cilíndrico que tem uma pele de animal esticada em uma de suas extremidades, e um cambito amarrado a pele na parte interna do cilindro. Famosa, no samba carioca, no samba paulista, no Bumba Meu Boi de Recife e do Maranhão e suas variáveis. Puíta é o primo, grande, esculpido em um tronco, pesado, nome usado em Angola com origem exata desconhecida, provavelmente Bantu. Toca se friccionando um pano úmido ao cambito e o som assemelha ao som de bois ou onças. Mas a cuíca, hoje bem mais desenvolvida, é genialmente capaz de tocar complexas melodias se executada com maestria. Tocar ou dançar ritmos como esses eram manifestações ilegais. Compositores e artistas em sua época tomados por vadios, são minas de ouro para artistas e gravadoras. Hoje já sampleados ou tocados ao vivo. Mais uma vez a cultura africana resiste.
Balafon, avô das marimbas, xilofones e vibrafones, também Mandingue. A melodia e harmonia das rodas de dança, acompanhado de dununs, kinkenis, sanguibans, seus kekens e djembes além de vozes com timbres extremamente agudos, com cantos de singular beleza e complexidade. Trata se de um instrumento feito com teclas de madeira e caixas acústicas feitas de cabaças onde tudo é montado com amarrações. Uma orquestra acompanhada de grande balé. Milenar. Viva a Guiné Bissau, Viva a Costa do Marfim.
O Samba Duro baiano, ou Samba de Roda do recôncavo, originou Axé music. O ritmo vem da Kabula do candomblé de Angola. No movimento, a natural sensualidade do africano. Mas é comum ouvirmos que a musica é ruim ou pornográfica, ainda vivemos segundo os costumes eurocristãos. E o Merengue baiano (axé music, termo totalmente profano as religiões africanas) também é vitima desse processo que discrimina o negro, suas artes, seus costumes e sua beleza. Como o Jazz, o Samba a Capoeira e qualquer outra manifestação do negro que ainda não seja lucrativa ou usurpada pela sociedade regida por maneiras branco euro cristãs. É por exemplo muito curioso Elvis Presley ter sido o rei do rock. Ou o funk carioca, que era manifesto e as musicas que pendiam ao conteúdo sexual eram codificadas, mas após a exposição da mídia com os Bondes, banalizou GERAL.
Sem falar na América Central, paises isolados como Cuba, Costa Rica, Haiti os paises africanos destruídos, aparthaid. Ou os paises da América do Sul que conseguiram dizimar seu povo negro. Cajons no Peru, caixa de madeira. Candombe na Colômbia, ritmo parecidíssimo com os ritmos de Cuba. The Still Drum, tambor de aço das Guianas, incrível, feito com os fundos de lata de petróleo. Sem comentar as kalimbas, os ilus, os batás, rums, rumpis, lês, abês, xequerês, pacobatás, urucungos, pai do berimbau, quijengues, tumbadoras, e aí vai.
São muitos os movimentos relacionados à cultura afro descendente. O afrobeat, que veio a tona com o musico Fela Kuti, inspirou eletro sambas, techsambas, o próprio manguebeat. Reggae estourou nas paradas com Bob Marley, funk soul com James Brown, o rock com Litlle Richards. Spirituals. Jongo. Sempre em protesto, sempre deturpado, seguindo a tradição de realidade do negro, a margem, excluído, guerreiro, persistente, inexplicável. Não é possível hoje ter registro de toda a historia do povo africano. Uma cultura oral milenar, o primeiro homem a fundir o ferro, suas línguas dialetos, artes, cores, construções, engenharia, arquitetura, respeito, educação e a belíssima musica.
Texto de Manoel Trindade
Contrapartida MINC
quinta-feira, 23 de julho de 2009
Samba de roda -Salvador


Nesta viagem o samba de roda nos chamou por duas vezes. A primeira foi quando voltávamos de uma apresentação no Teatro Gamboa, no caminho encontramos um boteco com uma roda de samba do recôncavo. Entre todos os componentes do grupo que tocavam tinha um que chamava muito a atenção, ele era o mais velho da roda e tocava Cuíca. Apesar da Cuíca não ser um instrumento característico do Samba de Roda do Recôncavo, o senhor Martinho da Cuíca era o “próprio samba”, com tanta propriedade, graça, beleza e alegria o seu corpo respondia a música com a Cuíca. Ficamos no boteco até o samba acabar.
Fomos visitar a cidade de Santo Amaro da Purificação e no passeio
fomos abordados por menino falando que adorou a diversidade
de cabelos crespos que nós tínhamos e que seu pai não deixava o cabelo
dele crescer black power por preconceito, então ele tinha que admirar os dos outros.
Papo vai papo vem e o garoto perguntou de onde nós éramos, o que
estávamos fazendo lá e se tínhamos conhecido a Casa do
Samba. Respondemos que não e ele nos ensinou a chegar.
Foi o segundo chamado.
A Casa do Samba foi inaugurada em 14 de setembro de 2007 e é
administrada pela Associação dos Sambadores e Sambadeiras do Estado da Bahia.
O espaço hoje é o Centro de Referência do Samba do Estado da Bahia, onde temos um acervo sobre a história do Samba de Roda da Bahia e conta a trajetória da dessa herança Africana na Cultura oral passada
de geração em geração nas famílias do Recôncavo. Desde os primeiros
registros em 1860 nos cultos aos Orixás, no jogo de Capoeira como vemos
e vivenciamos até hoje e no encontro com a cultura Portuguesa também,
agregando alguns elementos como por exemplo a própria língua, a viola que é um instrumento hoje importante no samba.
A Associação esta mapeando os grupos que até hoje resistem nessa cultura, já temos 68 grupos catalogados em toda a região da Bahia. Ela também promove encontros dos grupos na Casa do Samba para a
comemoração das datas religiosas ou até mesmo para apresentação e
divulgação dos grupos para conhecimento da própria comunidade local
que está ausente.
Lembra do senhor Martinho da Cuíca?
Nós encontramos com ele no mesmo dia em Santo Amaro vendendo quadros cedidos por um amigo na feira. A graça e a alegria não eram as
mesmas. Ficamos sabendo depois que ele era mestre dos tempos extintos
das escolas de samba em Salvador ou seja um Baluarte.
Quando falamos de Samba de Roda do Recôncavo hoje, estamos falando de Patrimônio da Cultura Negra e agora Patrimônio da Humanidade.
Nos elucida para a Diáspora Africana esse quadro de senhoras e
senhores remanescentes quilombolas e mantenedores dessa Cultura que
não vivem de arte, mas vivenciam por que ela faz parte do cotidiano e
enquanto estiverem vivos darão continuidade nessa forma de
expressão.
Texto de Flávia Rosa.
Contrapartida MINC
terça-feira, 14 de abril de 2009
Solano trindade e suas negras poesias na Fundação Casa

Amanhã as 10h estaremos apresentando o Espetáculo "Solano trindade e Suas Negras Poesias "na Fundação Casa(Vila Maria).Para nós da cia de Arte negra é uma grande honra,falar do negro e da mulher para jovens negros,periféricos em que vivem em situações de risco,excluidos da sociedade e lutam por liberdade todos os dias!!!
"Nunca é tarde,tarde é deixar de lutar "Zinho Trindade.
quinta-feira, 2 de abril de 2009
quarta-feira, 1 de abril de 2009
terça-feira, 3 de março de 2009
ESTRÉIA CAPULANAS-SALVADOR -BAHIA

Espetáculo-Solano trindade e suas negras poesias
com-Capulanas cia de arte negra
Teatro, dança e música se encontram para mostrar a força da mulher afrodescendente.Em cena ,as Capulanas utilizam como fio condutor poesias que ao serem encenadas dialogam com o teatro do oprimido de Augusto Boal,coreografias que resgatam os rítmos populares em compasso com hip hop e canções de dominío público com elementos contêmporaneos.Através dessa estética multiartistica elas mostram os preconceitos sofridos pelas mulheres desde a infância até a velhice.
Direção:Coletiva.
Local-Teatro Gamboa Nova
quando: 11,12,13 e 14/03 (Quarta a Sábado)
Horário: 20:00 horas
Entrada: R$ 5 (preço único)
endereço:Rua Gamboa de Cima,3 Aflitos-Salvador -Bahia
http://www.teatrogamboanova.com.br/
71 3329-2418
com-Capulanas cia de arte negra
Teatro, dança e música se encontram para mostrar a força da mulher afrodescendente.Em cena ,as Capulanas utilizam como fio condutor poesias que ao serem encenadas dialogam com o teatro do oprimido de Augusto Boal,coreografias que resgatam os rítmos populares em compasso com hip hop e canções de dominío público com elementos contêmporaneos.Através dessa estética multiartistica elas mostram os preconceitos sofridos pelas mulheres desde a infância até a velhice.
Direção:Coletiva.
Local-Teatro Gamboa Nova
quando: 11,12,13 e 14/03 (Quarta a Sábado)
Horário: 20:00 horas
Entrada: R$ 5 (preço único)
endereço:Rua Gamboa de Cima,3 Aflitos-Salvador -Bahia
http://www.teatrogamboanova.com.br/
71 3329-2418
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