quinta-feira, 23 de julho de 2009

CAPULANAS EM CARTAZ EM AGOSTO



Sinopse

" Solano Trindade e suas Negras Poesias" retrata a força da mulher negra através das poesias de Solano trindade, Elizandra Souza e Capulanas.
O espetáculo busca a ancestralidade das manifestações populares de matrizes afro brasileiras e por meio do elemento MC dialoga com a cultura Hip Hop.
As interpretes criadoras contribuem ainda com suas vivências narrativas traduzindo-as de forma poética.

FESTIVAL SOLANO TRINDADE 101 ANOS-25 DE JULHO


FESTIVAL SOLANO TRINDADE-101 ANOS
"Festival Solano Trindade" – (101 anos)

Será realizada dia 25 de julho de 2009. Início as 10 horas do dia 25, finalizando as 06h horas da manhã do dia 26.

Espetáculos:


Grupo de Capoeira Angola Irmãos Guerreiros- Mestre Marrom
Mulungu
Dessa Souza e Negro Lima
Airá Otá
Cooperifa
Periafricania
Tabajara Assunção
Teatro Popular Solano Trindade
Alan da Rosa
Preto Soul
Lona Preta
Revista do Samba
Dj Marcelo Kurts
Cantando Solano Trindade
Zinho Trindade e convidados
Grupo de Dança Arco Iris
Mc Gaspar e convidados
Umoja

Oficinas:
Das 10h as 15H
Barbara Kilombo e Alabê (Bicudo)William - Ritmos e danças dos Orixás
Rafael Fazzion – Darbuka e Djembé (Música Africana)
Carlos Caçapava e Vitor da Trindade - Percussão Afro Contemporânea
Marquinhos e Eustáquio(Resistência) – Capoeira Angola
Saloma Salomão – Cultura da diáspora
Literatura
Solano Trindade, Alan da Rosa, Maria Tereza e outros

Exposições
Raquel Trindade e convidados – Artes plásticas e Artesanato
Oguntolá – Roupas e artesanatos africanos
Carlos Caçapava – Instrumentos da diáspora africana

Avenida São Paulo 100 – centro – Embu das Artes
Como chegar:ônibus-Pegar na rua Cardeal Arco verde ou Francisco Morato o Bus Embu Eng Velho,descer próximo da prefeitura.Do Metro Campo limpo sai o Embu Centro ultimo até as 0H.Do largo da batata apartir das 0:30H sai um Bus chamado Itapecerica PQ Paraiso que entra dentro do Embu,descer na praça .
Carro-Pegar a BR116 ou o Rodoanel e entrar na Cidade de Embu Das Artes ,seguir até o Centro.
Pontos de referência,Quadra de futebol Embuense ,Casa de Show Salgueiro e Prefeitura.

III forum nacional de performance negra








III forum nacional de performance negra

Capulanas no terceiro Fórum

As reflexões e propostas para a valorização da dança e teatro negro tem cenário e palco próprios: o 3º Fórum Nacional de Performance Negra que acontecerá em Salvador/BA desta segunda-feira (6) até quinta-feira (9), no Teatro Vila Velha. O evento deverá reunir cerca de 200 pessoas entre representantes de Grupos e Companhias negras, pesquisadores e artistas de todas as regiões do Brasil em torno de objetivos alicerçados em uma prática artísticocultural que, nos seus modos de criação e de reflexão, reafirmem a dimensão dinâmica das matrizes afrobrasileiras.
Nesta terceira edição o evento homenageará as atrizes Léa Garcia e Ruth de Souza, o ator Zózimo Bubul e o poeta Solano Trindade . O 3º Fórum Nacional de Performance Negra é uma realização conjunta da Cia. dos Comuns (RJ) e do Bando de Teatro Olodum (BA).Além de Raquel Trindade representando o pai.
A abertura do evento deverá contar com as presenças dos ministros da Cultura, Juca Ferreira e do Secretário da Promoção da Igualdade (SEPPIR) Edson Santos; dos presidentes da Fundação Palmares, Zulu Araújo, e da Funarte, Sérgio Mamberte, além dos secretários da Identidade e da Diversidade, Américo Córdula, da Cultura do Estado da Bahia, Márcio Meirelles e da secretária da Igualdade da Bahia, Luiza Bairros.
O evento já se firmou como um referencial do teatro e danças negras do Brasil, com intenção de promover a criação de políticas públicas específicas para esse segmento e, neste ano, foram programadas palestras com Sueli Carneiro (Brasil), Julio Moracen (Cuba), Paulo Lins (Brasil), e Cleyde Morgan (EUA); oficinas de teatro como o dramaturgo e ator Ângelo Flávio; com o diretor teatral e jornalista Luiz Marfuz; de música, com o cantor e compositor Jarbas Bittencourt; e com o músico, ator e diretor artístico Gil Amâncio.
As oficinas de dança ficarão com o bailarino e coreógrafo Zebrinha, com o professor e bailarino Clyde Margon; sobre figurino com Biza Viana; iluminação, com Jorginho de Carvalho (precussor da iluminação teatral no país); sonorização, Filipe Pires; e programação visual, com o artista plástico Gá. Também foram programas atividades em Grupos de Trabalho que contribuirão para o intercâmbio dos/as representantes regionais.
Ainda estão previstas no Fórum apresentações e performances de teatro e dança e manifestações populares de matriz africana. Entre as apresentações estão: Shire Oba, com direção de Fernanda Júlia, encenada pelo Grupo de Teatro Nata, que por meio de um discurso poético, festeja a magia e os encantos da tradição afrobaiana, presente no culto aos Orixás; a peça Silêncio, dirigida por Hilton Cobra e encenada pela Cia dos Comuns que questiona a plateia sobre o que passa pela mente de uma pessoa que durante toda sua existência sente que a qualquer momento poderá ser vítima do racismo. Silêncio é o quarto espetáculo do repertório da Cia dos Comuns, responsável pela encenação de Candaces - A reconstrução do fogo (2003) que recebeu o Prêmio Shell de Teatro - categoria música, sendo este espetáculo considerado um dos 10 melhores do ano pela crítica teatral.
Receita é o terceiro espetáculo a ser apresentado durante o III Fórum Nacional de Performance Negra. Receita é um solo com o bailarino Rui Moreira da Cia Será Quê? - com coreografia de Henrique Rodovalho e é um encontro com a subjetividade do olhar e do movimento.
Fonte:
Jornal Feira Hoje.com.br, Cultura, 06/07/2009 (11h41)

O Forum foi um grande aprendizado para a nossa CIA,valeu conhecer,valeu observar,valeu a experiência!!!Muito Obrigado a todos do Forum.
Zinho trindade.

Bate papo Bahia

O encontro de idéias

O encontro de idéias


O encontro com Luis Bandeira

Para Capulanas foi um privilégio poder ter tido uma conversa com o Diretor Teatral e dramaturgo Luis Bandeira, responsável pela direção do Gente de Teatro da Bahia, o encontro desenvolve-se em torno de temas como arte negra, teatro marginal, e resistência, Bandeira nos deu um retorno da apresentação do espetáculo “Solano Trindade e Suas Negras Poesias” tais considerações proporcionaram novos questionamentos a respeito do trabalho, e mudanças consideráveis.
O trabalho do Gente de Teatro da Bahia em muito dialoga com o nosso, sobre tudo na realização de uma arte engajada, da qual o negro se reconhece enquanto ser historio e social, sua ancestralidade é posta de maneira há reconhecer a formação da identidade brasileira. Embora o contexto racial e social na da Bahia tenha particularidades outras a São Paulo podemos reconhecer um cenário comum ao nosso, e necessidades tal qual.
A exposição das idéias de Bandeira como os processos dos grupos populares e grupos de rua, as formas de incentivos e espaços conquistados em Salvador, nos deram um panorama de quanto o movimento teatral que presa pelas questões raciais como forma legitima de arte, precisam se unir, promoverem de fato esse intercambio, enquanto movimento frente a opressão.
Foi uma noite agradabilíssima, eufórica em poder discutir com um dos maiores representantes do teatro, e que contribuiu para a compreensão de que o amadurecimento desta forma de arte é um processo de resistência há muito iniciado, por aqueles que como Capulanas necessitam de seu espaço. A troca de conteúdo foi ainda alem, uma vez que como próximo trabalho deles o foco será Solano, podemos também ter seu retorno com um olhar critico à nossa leitura.

Texto Adriana Paixão
Contrapartida MINC



“Trepar pra mim é político”
Luis Bandeira

O que a arte negra representa politicamente?
Iniciando esse questionamento faremos um panorama geral da representatividade do Capulanas Cia de Arte Negra (São Paulo) relacionando ao Gente de Teatro da Bahia (Salvador), refletindo frente a vida e obra do ativista pan africanista Leopold Sedar Senghor.
Senghor foi um poeta, ativista negro e posteriormente o primeiro presidente após a independência do Senegal. Não foi ele o primeiro poeta a apresentar a palavra negritude em suas poesias, mas foi quem a definiu como o “conjunto de valores culturais e espirituais africanos”, esses valores que independem de nacionalidade, ou território estando presentes ,tão quanto, nas diásporas africanas. Assim, somos corpos negros resistindo contra a opressão em qualquer parte do mundo.
Senghor assume a presidência em 1960 e em 1966 é realizado o I FESMAN (Festival Mundial de Arte Negra), onde ouve o encontro de artistas negros das diversas artes, de toda parte do mundo e o dialogo se estabelece através da “negritude”. Essas artes são apresentadas utilizando em maioria a oralidade e o corpo como comunicação, possibilitando a visualização de diversas obras que nunca tinham sido lidas. Para uma população que acaba de conquistar a independência, que tem 80% de analfabetos, que discute questões revolucionárias, isso é uma arte política, pois possibilita a reflexão sobre sua história.
De acordo com esses apontamentos o Gente de Teatro da Bahia, é um grupo de teatro de rua, exerce o mesmo papel político que Senghor e outros poetas pan africanistas nesse momento de independência africano exerceram, já que a população de moradores de rua de Salvador é negra e sem acesso aos grandes teatros da cidade. Se as discussões do espetáculo são direcionadas para a população negra temos que ir onde nossos irmãos estão, assim estamos praticando, em suma, o conceito pan africanista de praticar a irmandade e através dela potencializar nossas vozes.
Sendo o posicionamento do Diretor do Grupo Gente de Teatro da Bahia, Luis Bandeira, com a frase “Trepar pra mim é político”, observamos que a vida e obra de um artista negro não estão dissociadas, já que somos esses seres históricos transformando a cada resistência nossa historicidade social e cultural.
A grandiosidade desse encontro para Capulanas Cia de Arte Negra, foi constatada através desses ínfimos apontamentos de elos revolucionários, já que nosso público alvo está nas comunidades, na Fundação CASA, e em diversos lugares de exclusão, onde ainda hoje nossos irmãos são maioria. Discutimos em nosso espetáculo o ser Negro e evidenciamos dentro desse universo a mulher negra, apresentando de forma muito intima nossos questionamentos e posições, logo, através de nossa arte pleiteamos o espaço de uma outra referência na vida dessas pessoas.
A Política é norteadora da Arte Negra, já que sua discussão está baseada no conceito de Negritude.

Texto Priscila Preta
Contrapartida MINC