A relação trabalho e festa, homem e natureza, chegou na relação do homem com o boi. O negro aqui escravizado e o boi domesticado.
Amadu Amaral foi um pesquisador que tentou saber quem influenciou quem e depois não teve menor sentido, pois o boi é um animal que veio pro Brasil no processo de colonização.
A relação do homem africano com a natureza é de uma poesia e complexidade que não teremos entendimento
Na tradição africana não se separa o homem da natureza. São os 20 elementos que formam o ser humano. O criador é a junção de todos esses elementos da natureza e está presente no homem. A idéia de dissociação da natureza é ocidental. Esses 20 elementos vibram no ser humano até que saia a palavra, assim sendo o indivíduo é sua própria palavra. A mentira então é um desvinculamento de você com a natureza, com o criador, com o sagrado e por isso não é necessário escrever, pois a palavra tem poder em si.
O homem só sabe que ele é homem, porque está em contato com a natureza, em relação, e não superior e sim um de seus elementos que vai ser responsável de cuidar de outros elementos.
Num determinado momento com o contato com outras culturas do oriente, começa a aparecer na cultura africana, técnicas de agricultura, o aprendizado se dá a partir da observação de pássaros para saber como semear, do tempo do trabalho com as formigas, enfim respeitar essa generosidade da natureza.
Há contos que não são infantis, mas contados na infância para saber como aquela como aquela comunidade aprendeu a se relacionar com a natureza. Cada comunidade tem um animal Tóten e ele será base para as relações.
O boi em todo mundo se transformou em animal símbolo, mas diferenciado de cultura a cultura, mas geralmente está ligado a poder, pela sua estrutura física e que tudo nele se aproveita, até o berro.
No sudoeste de Angola, os Nanhecas, têm um culto ao boi, essa seria uma possível origem da festa do boi.
Aqui no Brasil se diz que tem origem portuguesa, mas não existe nenhuma comunidade branca que tem festa de boi.
O boi é um animal caro, vem originalmente de Cabo Verde no séc. XVI e vieram pra cá nos mesmos porões que os africanos escravizados, então os dois tem o mesmo patamar na sociedade brasileira. Na cultura africana eram iguais, mas em outras instâncias.
O boi é muito usado para sacrifícios, o mais bonito, mais gordo, era esse que era oferecido ao Soba seu sangue.
Para os Bijagós ( povo africano que habita um arquipélago de Guiné-Bissau), o boi é o animal máximo, o rei é enterrado com a pele, patas e cabeça do boi. Confeccionam máscaras de boi e se transformam. A máscara é um elemento fundamental para ritos de passagens nas comunidades tradicionais africanas, pois não é utilizada para esconder e sim para revelar os ancestrais, por isso cobre todo o corpo e sim o ancestral abençoa.
A relação com o animal muda com a chegada da escravidão, pois ela põe o boi em um lugar utilitário e o homem negro é comparado sendo chamado de “gado humano”, os dois tem o mesmo preço. O homem africano deixa de ter a natureza como aliada e passa a viver a mesma situação de opressão.
A queimadura que é feita no boi, também será usada no homem, as colheras, a vedação do rosto. A domesticação passa a ser referência para a escravidão.
Homem e animal: o escravo está comparado ao animal domesticado e o senhor ao animal de movimento.
RELAÇÕES ANIMAL NOMES
Escravo Boi Mimoso
Senhor Cavalo Veloz
Na relação com as mulheres negras, é em fotografias por exemplo: a mulher passa do exótico para o erótico e na literatura aparece a questão muito presente do cheiro e de sua animalização.
A relação do homem negro com a natureza é resgatada no desenvolvimento da manifestação do Boi Bumba. Mário de Andrade em seu registro usa o boi como elemento de unificação do Brasil, mas não cita o negro como produto desse acontecimento.
No Mali, os Sobobós têm máscaras de Antílopes muito parecidas com o Boi Bumba.
Na Nigéria, a cultura Ioruba, o artista só pode ver se a máscara está boa, no momento da dança, pois é quando ela se torna viva. Essa relação com a ancestralidade é a máscara.
Máscaras são representações artísticas, mas tem que ser um artista que tenha ancestralidade. Então a máscara seria uma dupla habitação: ancestral e descendente.
Bumba meu Boi, Boi Bumba, Boi de Bumba é uma auto tradição da sociedade de escravidão, pois há uma pessoa vestida de boi, o Mateus que é um vaqueiro, a Catirina que é uma mulher grávida com desejo de comer a língua do Boi, quando tira a língua ela perde o poder da fala. A redenção do homem negro, a ressurreição do boi é quando ele volta a dançar.
Homens negros se matavam para virar ancestrais e ajudar os outros escravizados. Na África o indivíduo vivo se encontra com o ancestral e a partir do cristianismo ele tem que morrer para encontrar com o espiritual.
Na vaquejada o mestiço caça o boi que representa o preto escravizado.
O boi no Auto do boi é o melhor boi do senhor. E pode se ver a importância da oralidade, os mascarados não falam, como os orixás no Brasil, só a corporalidade é necessária para que haja a comunicação. A fala é o vínculo visceral com o ancestral, ele não fala, mas lhe é permitido falar por ele.
A fala é importante, pois o escravizado não podia falar seu dialeto, tinham que falar português. A língua foi cortada e ele ressuscita através da dança. O corpo fala, o tambor fala, o canto...Mas a escutar é importante.
terça-feira, 24 de maio de 2011
ONNIM -Prof. Salloma Salomão - Congos e Moçambiques: Corpos Negros em Performances - 17/05/2011
A Corporalidade negra.
Há uma dimensão nas Américas de culturas negras. As congadas é uma das dimensões dessa diversidade, aparecem em Brasil, EUA e Caribe.
Congo é uma manifestação de música, dança, teatro e ritual, ou seja uma dramaticidade em reverência aos antepassados mortos e reis de Congo.
Em Cuba aparece como Cabiudos (brincantes oriundos do Congo), no Haiti como Janconu.
Havia uma unidade cultural muito grande nos povos que viviam na África Central : Umbundo, Quibumbo, Muila.
E como essas culturas se relacionaram com outras culturas tão distintas e produziram algo similar? No caso o Congo.
Todos produziam algo que fazia referência ao Império do Congo, sendo a Congada parte dessa memória, a coroação de um rei e uma rainha: Nzinga Ambanti e Conde de Soio ( em algumas cantigas aparece como Conde de Sonho) e que faz referência a uma das partes do reino de Congo.
O corpo quando dança ele rememora, por isso cantigas e nomes são lembrados e presentes até hoje. Mas não é algo morto e estático há uma reconfiguração de memórias que vão gerando outras identidades.
Por que as manifestações do sudeste são menos lembradas que as do nordeste?
Em um determinado período alguns militantes, chefes de culto religioso foram muito presentes na construção da relação Brasil África e assim criou-se o que chamamos de Nagocentrismo, ou seja, só a cultura de Benin e Nigéria teria se mantido intacta aqui no Brasil, Manoel Quirino foi responsável pelo mapeamento de terreiros de candomblé da Bahia, anotando sobre culinária, vestimentas, dando uma visibilidade maior para essa especificidade cultural.
Prestitos (Zulu) e Menelick (antigo rei da Etiópia), eram uma guarda de Congo que antecedem os Afoxés, não era ligado ao carnaval. Antes do séc XX existia congadas de norte a sul do Brasil.
No Moçambique as vestimentas são saias (para homens), uma origem são os cristãos da Etiópia e outra é que os soberanos da África central usavam essa vestimenta.
Como o cristianismo é assimilado pelos africanos?
Pintar a Nossa Senhora, mãe de Jesus, de preto é uma das formas, pois se ela estiver branca não irá servir-los.
Os Europeus entram na África central para realizar comércio, no séc. XV o soberano do Congo é convidado a ir a Portugal, mas não vai e manda dois filhos, um morre por lá e outro volta e prega o cristianismo.
Mas o cristianismo já existia no séc. I na Etiópia, pois sua posição geográfica é próxima da Palestina, é uma outra forma de cristianismo, que não chega via Europa. A religiosidade européia é dogmática, um Deus único, sendo essa a evolução e a civilidade religiosa, o que desqualifica todas as práticas que não são cristãs. Na religiosidade os deuses tem relação com sua funcionabilidade.
Nzambi é reverenciado nas Congadas, é o criador para vários povos de cultura Bantu.
As congadas eram muito masculinas, mas nos últimos 15 anos há a presença de mulheres.
Em dezembro congadeir@s que são trabalhadores rurais, deixam de trabalhar e saem em grupos pequenos para arrecadar dinheiro.
O rei e a rainha pessoas que tiveram graças alcançadas de promessas que foram feitas para São Benedito, Nossa Senhora do Rosário e Santa Efigênia e houver mais de um aquele ano há uma eleição.
No Espirito Santo a Congada aparece como Ticumbi, Cicumbi em Santa Catarina em um bairro de comunidade negra que chama São Francisco do Sul, em Rio Grande do Norte de Congo de Saiote.
Todo ano vai ser feito o mesmo ritual, mas todos estão lá pra ver. Sempre há elementos novos, é uma reapresentação do ritual, há criações de novas composições e músicas. Começam a aparecer alfaias, instrumentos metálicos. Antes usava-se latões, barril, mas é preciso lidar com os acontecimentos, é algo vivo e mutável.
Em cidades onde a presença é mal vista, a Congada se apresenta como a presença negra em performance, ela se revela.
Na África o soberano era apresentado por uma banda musical, prática presente na Congada.
Já havia urbanicidade no continente africano.
Há 4 memórias do Congo:
1- Organização Social
2-Lutas Imperiais ( Rainha Nzimga/Conde de Soio)
3- Travessia do Atlântico
4- Cativeiro
Kalunga (aparece como boneca no Maracatu) é um lugar para onde iam os mortos, para água, onde os espíritos vão ficar. Por isso Nossa Senhora é encontrada no rio ou na grota de água.
As primeiras fotografias de Congo mostram os tambores no chão que é uma posição recorrente na África Central, os músicos estão de saia igual ao rei. Os comerciantes que tinham usar saias para serem reconhecidos como homens em território angolano.
A representação de reis negros no exílio são passagens de rituais reais a rituais simbólicos, de memória e identidade coletiva. No momento da representação é quando o negro tem visibilidade, fala sua língua e expressa sua corporalidade.
As irmandades negras eram espaços de negociação com o mundo branco. Mas faziam planejamentos e financiamentos de fugas e compra de alforrias. Os Congos são ligados as irmandades, financiavam instrumentos, alimentação e tecidos.
A polifonia africana está presente na Congada, no canto, na construção rítmica. No ocidente a repetição é monotonia, mas para os africanos é circularidade. Aquele que fixasse uma altura de uma nota, por exemplo, jamais esqueceria e a repetição traria então autonomia na hora de compor e grupo, pois a música só acontece de forma coletiva, não há produtores, emissores, receptores, todos estavam envolvid@s.
O fato da Congada ser um batalhão tem haver com as guardas da rainha Nzimga, os Jagas, que aqui virou jagunço.
A Congada é uma das reconstruções de uma existência, pois os escravizados africanos saíram de seus lugares e não iriam poder voltar. Isso seria uma saúde cultural, reconstruir a humanidade de uma parcela da humanidade, exercer sua ancestralidade, comunicar uma estética que não é da norma.
Nos séc. XIX para o XX homens negros que praticavam culturas negras eram considerados loucos e em nome da saúde social (higiene social) eram levados para o manicômio.
Nem tudo é resistência e nem tudo é intercâmbio. Cultura é um indicador de saúde.
Há uma dimensão nas Américas de culturas negras. As congadas é uma das dimensões dessa diversidade, aparecem em Brasil, EUA e Caribe.
Congo é uma manifestação de música, dança, teatro e ritual, ou seja uma dramaticidade em reverência aos antepassados mortos e reis de Congo.
Em Cuba aparece como Cabiudos (brincantes oriundos do Congo), no Haiti como Janconu.
Havia uma unidade cultural muito grande nos povos que viviam na África Central : Umbundo, Quibumbo, Muila.
E como essas culturas se relacionaram com outras culturas tão distintas e produziram algo similar? No caso o Congo.
Todos produziam algo que fazia referência ao Império do Congo, sendo a Congada parte dessa memória, a coroação de um rei e uma rainha: Nzinga Ambanti e Conde de Soio ( em algumas cantigas aparece como Conde de Sonho) e que faz referência a uma das partes do reino de Congo.
O corpo quando dança ele rememora, por isso cantigas e nomes são lembrados e presentes até hoje. Mas não é algo morto e estático há uma reconfiguração de memórias que vão gerando outras identidades.
Por que as manifestações do sudeste são menos lembradas que as do nordeste?
Em um determinado período alguns militantes, chefes de culto religioso foram muito presentes na construção da relação Brasil África e assim criou-se o que chamamos de Nagocentrismo, ou seja, só a cultura de Benin e Nigéria teria se mantido intacta aqui no Brasil, Manoel Quirino foi responsável pelo mapeamento de terreiros de candomblé da Bahia, anotando sobre culinária, vestimentas, dando uma visibilidade maior para essa especificidade cultural.
Prestitos (Zulu) e Menelick (antigo rei da Etiópia), eram uma guarda de Congo que antecedem os Afoxés, não era ligado ao carnaval. Antes do séc XX existia congadas de norte a sul do Brasil.
No Moçambique as vestimentas são saias (para homens), uma origem são os cristãos da Etiópia e outra é que os soberanos da África central usavam essa vestimenta.
Como o cristianismo é assimilado pelos africanos?
Pintar a Nossa Senhora, mãe de Jesus, de preto é uma das formas, pois se ela estiver branca não irá servir-los.
Os Europeus entram na África central para realizar comércio, no séc. XV o soberano do Congo é convidado a ir a Portugal, mas não vai e manda dois filhos, um morre por lá e outro volta e prega o cristianismo.
Mas o cristianismo já existia no séc. I na Etiópia, pois sua posição geográfica é próxima da Palestina, é uma outra forma de cristianismo, que não chega via Europa. A religiosidade européia é dogmática, um Deus único, sendo essa a evolução e a civilidade religiosa, o que desqualifica todas as práticas que não são cristãs. Na religiosidade os deuses tem relação com sua funcionabilidade.
Nzambi é reverenciado nas Congadas, é o criador para vários povos de cultura Bantu.
As congadas eram muito masculinas, mas nos últimos 15 anos há a presença de mulheres.
Em dezembro congadeir@s que são trabalhadores rurais, deixam de trabalhar e saem em grupos pequenos para arrecadar dinheiro.
O rei e a rainha pessoas que tiveram graças alcançadas de promessas que foram feitas para São Benedito, Nossa Senhora do Rosário e Santa Efigênia e houver mais de um aquele ano há uma eleição.
No Espirito Santo a Congada aparece como Ticumbi, Cicumbi em Santa Catarina em um bairro de comunidade negra que chama São Francisco do Sul, em Rio Grande do Norte de Congo de Saiote.
Todo ano vai ser feito o mesmo ritual, mas todos estão lá pra ver. Sempre há elementos novos, é uma reapresentação do ritual, há criações de novas composições e músicas. Começam a aparecer alfaias, instrumentos metálicos. Antes usava-se latões, barril, mas é preciso lidar com os acontecimentos, é algo vivo e mutável.
Em cidades onde a presença é mal vista, a Congada se apresenta como a presença negra em performance, ela se revela.
Na África o soberano era apresentado por uma banda musical, prática presente na Congada.
Já havia urbanicidade no continente africano.
Há 4 memórias do Congo:
1- Organização Social
2-Lutas Imperiais ( Rainha Nzimga/Conde de Soio)
3- Travessia do Atlântico
4- Cativeiro
Kalunga (aparece como boneca no Maracatu) é um lugar para onde iam os mortos, para água, onde os espíritos vão ficar. Por isso Nossa Senhora é encontrada no rio ou na grota de água.
As primeiras fotografias de Congo mostram os tambores no chão que é uma posição recorrente na África Central, os músicos estão de saia igual ao rei. Os comerciantes que tinham usar saias para serem reconhecidos como homens em território angolano.
A representação de reis negros no exílio são passagens de rituais reais a rituais simbólicos, de memória e identidade coletiva. No momento da representação é quando o negro tem visibilidade, fala sua língua e expressa sua corporalidade.
As irmandades negras eram espaços de negociação com o mundo branco. Mas faziam planejamentos e financiamentos de fugas e compra de alforrias. Os Congos são ligados as irmandades, financiavam instrumentos, alimentação e tecidos.
A polifonia africana está presente na Congada, no canto, na construção rítmica. No ocidente a repetição é monotonia, mas para os africanos é circularidade. Aquele que fixasse uma altura de uma nota, por exemplo, jamais esqueceria e a repetição traria então autonomia na hora de compor e grupo, pois a música só acontece de forma coletiva, não há produtores, emissores, receptores, todos estavam envolvid@s.
O fato da Congada ser um batalhão tem haver com as guardas da rainha Nzimga, os Jagas, que aqui virou jagunço.
A Congada é uma das reconstruções de uma existência, pois os escravizados africanos saíram de seus lugares e não iriam poder voltar. Isso seria uma saúde cultural, reconstruir a humanidade de uma parcela da humanidade, exercer sua ancestralidade, comunicar uma estética que não é da norma.
Nos séc. XIX para o XX homens negros que praticavam culturas negras eram considerados loucos e em nome da saúde social (higiene social) eram levados para o manicômio.
Nem tudo é resistência e nem tudo é intercâmbio. Cultura é um indicador de saúde.
segunda-feira, 23 de maio de 2011
Capulanas em AFROBRASILIDADES EM CENA 28/05
REALIZAÇÃO
REVISTA O MENELICK 2ºATO - AFROBRASILIDADES & AFINS
www.omenelicksegundoato.blogspot.com
APOIO
CENTRO CULTURAL DA ESPANHA (CCE)
www.ccebrasil.org.br
INSTITUTO FEIRA PRETA
www.feirapreta.com.br
segunda-feira, 16 de maio de 2011
ONNIM- Prof. Marcos Ferreira - Espirito Sangoma - 16/05/2011
Iniciamos hoje nosso ONNIM II Ciclo de Palestras com o Prof. Marcos Ferreira, foi uma noite quente apesar da garoa e do frio. Aquecemos nossos corpos em todas suas dimensões, abaixo vai apenas um relato breve sobre a noite de hoje.
Espírito Sangoma
Uma comunidade matrial é aquela que tem elementos femininos, mas não está ligada a questão meramente de gênero, mas algo maior que é o principio feminino de acolher, abraçar e ajudar. Como a plantação que é o enterro (morte) da semente na terra, há a transformação/fecundação e o nascimento (nova planta).
A maternidade é relação espelhada da terra e a mulher.
Para o homem ancestral a menstruação é uma morte todo mês que traz o poder da vida. Então a mulher seria um ser muito forte, pois transita pela morte e dá a vida. Depois da criação do Estado, com suas leis escritas, o homem vai de frente com o poder natural feminino e cria separações e o modelo patriarcal.
Na cultura Yoruba existe uma escultura Mawa (segredos do ferro, masculino) e Lissa (rito de fertilidade, feminino) que seriam pré anúncios de Ogum e Oxum, que estão abraçados e representam essa unidade, onde um não se sobrepõe ao outro, suas forças são iguais importantes para construção da comunidade.
Existem muitas esculturas onde aparece o filho junto ao corpo da mãe, Capulanas, seriam como uma gestação fora do corpo.
No mundo Zulu, Sangoma tem três significados:
• As contas (colares): São usados pelas mulheres Masai e suas contas contam suas histórias, ou seja, pelos colares e enfeites de cabeça é possível saber se ela é casada, solteira, se está ou não disponível para relacionamento;
• O Canto ( música): sinalizam a função que a pessoa exerce na comunidade;
• O Santo (herança ancestral) : Curandeiros da comunidade, quem mantém o equilíbrio natural, espiritual e em sua maioria são mulheres. A pessoa é escolhida pelos ancestrais, começa com sonhos repetitivos e isso é o um dos chamados. Há uma música de iniciação que se chama Angnalana que significa : “ eu não consigo dormir” e a partir disso começa a aprender com outros Sangomas sobre a natureza e seus segredos.
Do ponto de vista ancestral não existe sociedade, é comunidade. O Sangoma só vai existir nesse contexto.
Quando alguém está doente o Sangoma começa o rito com um canto para entender o que está acontecendo e depois utiliza ervas e geralmente a dança, pois ela é entendida como cura e pode resolver muitos problemas.
Aqui no Brasil houve uma resignificação do Sangoma, que virou Cangoma na canção que Clementina de Jesus canta : “ Tava durumindo Cangoma me chamou/ Tava durumindo Cangoma me chamou/Disse: Levanta povo, cativeiro já acabou...”.E a figura das benzedeiras também representa essa ligação.
A pessoa é o entrecruzamento de dois planos, o espiritual (divino), ou seja, é parte do todo ou expressão do todo, o divino penetra o humano e o humano penetra o divino. A natureza é a comunhão divina. E o corpo mantém essa contração expansão o tempo inteiro.
O corpo possui cinco líquidos sagrados: a lágrima, a saliva, o suor, o sêmen e o fluxo menstrual. Como são sagrados só podemos oferecer para quem amamos.
A lágrima é o transbordamento, quando não se cabe mais, vaza. Lamber a lágrima de alguém é como trazer pra si aquela emoção. Em todas as comunidades o beijo é algo sagrado, pois compartilha a saliva. O suor umedece as almas. Na menarca (primeira menstruação) a menina não pode pisar o chão até que ela se regenere, há uma preocupação e o fluxo menstrual no decorrer da vida adulta, não será impeditivo para o amor. Na cultura ocidental a menstruação é mácula, sujeira, pecado. O sêmen é mais do que fecundação é aquilo que comunica, compartilha, não pela função reprodutora, mas a grande energia vital.
Se nossos líquidos são tão importantes e sagrados é necessário ter preocupação com o que se ingere. O respeito com teu corpo desperta o respeito com o corpo do outro, além da relação amorosa, é uma devoção, celebrar o outro, alguém presente, no tempo presente, que é um presente.
Ao visitar nossos porões encontramos nossa ancestralidade.
Ancestralidade é um traço de que sou herdeir@, que é constitutivo do meu processo identitário e que permanece para além da minha própria existência.
Acessar nossa ancestralidade é “Ser nós mesmos”.
Espírito Sangoma
Uma comunidade matrial é aquela que tem elementos femininos, mas não está ligada a questão meramente de gênero, mas algo maior que é o principio feminino de acolher, abraçar e ajudar. Como a plantação que é o enterro (morte) da semente na terra, há a transformação/fecundação e o nascimento (nova planta).
A maternidade é relação espelhada da terra e a mulher.
Para o homem ancestral a menstruação é uma morte todo mês que traz o poder da vida. Então a mulher seria um ser muito forte, pois transita pela morte e dá a vida. Depois da criação do Estado, com suas leis escritas, o homem vai de frente com o poder natural feminino e cria separações e o modelo patriarcal.
Na cultura Yoruba existe uma escultura Mawa (segredos do ferro, masculino) e Lissa (rito de fertilidade, feminino) que seriam pré anúncios de Ogum e Oxum, que estão abraçados e representam essa unidade, onde um não se sobrepõe ao outro, suas forças são iguais importantes para construção da comunidade.
Existem muitas esculturas onde aparece o filho junto ao corpo da mãe, Capulanas, seriam como uma gestação fora do corpo.
No mundo Zulu, Sangoma tem três significados:
• As contas (colares): São usados pelas mulheres Masai e suas contas contam suas histórias, ou seja, pelos colares e enfeites de cabeça é possível saber se ela é casada, solteira, se está ou não disponível para relacionamento;
• O Canto ( música): sinalizam a função que a pessoa exerce na comunidade;
• O Santo (herança ancestral) : Curandeiros da comunidade, quem mantém o equilíbrio natural, espiritual e em sua maioria são mulheres. A pessoa é escolhida pelos ancestrais, começa com sonhos repetitivos e isso é o um dos chamados. Há uma música de iniciação que se chama Angnalana que significa : “ eu não consigo dormir” e a partir disso começa a aprender com outros Sangomas sobre a natureza e seus segredos.
Do ponto de vista ancestral não existe sociedade, é comunidade. O Sangoma só vai existir nesse contexto.
Quando alguém está doente o Sangoma começa o rito com um canto para entender o que está acontecendo e depois utiliza ervas e geralmente a dança, pois ela é entendida como cura e pode resolver muitos problemas.
Aqui no Brasil houve uma resignificação do Sangoma, que virou Cangoma na canção que Clementina de Jesus canta : “ Tava durumindo Cangoma me chamou/ Tava durumindo Cangoma me chamou/Disse: Levanta povo, cativeiro já acabou...”.E a figura das benzedeiras também representa essa ligação.
A pessoa é o entrecruzamento de dois planos, o espiritual (divino), ou seja, é parte do todo ou expressão do todo, o divino penetra o humano e o humano penetra o divino. A natureza é a comunhão divina. E o corpo mantém essa contração expansão o tempo inteiro.
O corpo possui cinco líquidos sagrados: a lágrima, a saliva, o suor, o sêmen e o fluxo menstrual. Como são sagrados só podemos oferecer para quem amamos.
A lágrima é o transbordamento, quando não se cabe mais, vaza. Lamber a lágrima de alguém é como trazer pra si aquela emoção. Em todas as comunidades o beijo é algo sagrado, pois compartilha a saliva. O suor umedece as almas. Na menarca (primeira menstruação) a menina não pode pisar o chão até que ela se regenere, há uma preocupação e o fluxo menstrual no decorrer da vida adulta, não será impeditivo para o amor. Na cultura ocidental a menstruação é mácula, sujeira, pecado. O sêmen é mais do que fecundação é aquilo que comunica, compartilha, não pela função reprodutora, mas a grande energia vital.
Se nossos líquidos são tão importantes e sagrados é necessário ter preocupação com o que se ingere. O respeito com teu corpo desperta o respeito com o corpo do outro, além da relação amorosa, é uma devoção, celebrar o outro, alguém presente, no tempo presente, que é um presente.
Ao visitar nossos porões encontramos nossa ancestralidade.
Ancestralidade é um traço de que sou herdeir@, que é constitutivo do meu processo identitário e que permanece para além da minha própria existência.
Acessar nossa ancestralidade é “Ser nós mesmos”.
terça-feira, 10 de maio de 2011
Agenda Projeto Pé no Quintal - Maio
Confiram a programação e venham somar nesse momento de felicidade.
Axé.
15 de maio - Quintal da Casa de cultura do M´Boi mirim - Av. Inácio Dias da Silva, s/n º - Piraporinha as 19hs
22 de maio - Quintal da Bergmam - Rua Berta Morena, Cidade Ademar 22d as 19hs
29 de maio - Quintal da Sociedade Amigos do Bairro - Rua Denis Furtel,126 - Jardim das Laranjeiras as 19hs
Axé.
15 de maio - Quintal da Casa de cultura do M´Boi mirim - Av. Inácio Dias da Silva, s/n º - Piraporinha as 19hs
22 de maio - Quintal da Bergmam - Rua Berta Morena, Cidade Ademar 22d as 19hs
29 de maio - Quintal da Sociedade Amigos do Bairro - Rua Denis Furtel,126 - Jardim das Laranjeiras as 19hs
quinta-feira, 28 de abril de 2011
Programação aniversário de 4 anos.
No próximo dia 15 de maio faremos 4 anos existência, isso é de extrema importância. Então realizaremos uma apresentação do espetáculo Solano Trindade e suas Negras Poesias dia 15 as 19hs e o ONNIM - II Ciclo de palestras:SAÚDE CULTURAL,FÍSICA E PSÍQUICA DAS MULHERES NEGRAS na semana do dia 16 a 20 de maio.
Ambos serão na Casa de Cultura do M´Boi Mirim.
Ambos serão na Casa de Cultura do M´Boi Mirim.
terça-feira, 29 de março de 2011
Agenda Abril - Projeto Pé no Quintal
Dia 03 de abril as 19hs - Quintal do Morro da Macumba - Travessa Jameleiro, 48 - Pq. Res. Cocaia
Dia 10 de abril as 16hs - Quintal da EE Arnaldo Laurindo - Rua Altino Alves de Abreu,110 -Parque Santo Antônio.
Dia 24 de abril as 19hs - Quintal do Pai Rogério de Oxum - Rua das Guassatungas, 270 - Americanópolis
Dia 10 de abril as 16hs - Quintal da EE Arnaldo Laurindo - Rua Altino Alves de Abreu,110 -Parque Santo Antônio.
Dia 24 de abril as 19hs - Quintal do Pai Rogério de Oxum - Rua das Guassatungas, 270 - Americanópolis
Assinar:
Postagens (Atom)


