domingo, 31 de julho de 2011

Apresentações Projeto Pé no quintal

Estamos chegando ao final da temporada do espetáculo "Solano Trindade e suas Negras Poesias" pelo Projeto Pé no Quintal. Quem ainda não viu, tem algumas chances de vê-lo onde ele brotou e plantou suas flores, os quintais/terreiros das periferias de São Paulo.
Axé.

Agenda Agosto



07/08 - Quintal do Cedeca Sapopemba - Rua dos Corregos s/nº Parque Santa Madalena SP. Acesso pela Avenida Custódio de Sá e Farias Viela II, Jardim Elba, SP - 19hs - domingo (zona leste)

14/08 - Quintal do Projeto Filhos da Terra - Rua. Dos Filhos da Terra, 944- Jd. Filhos da Terra (C.J. Helena Portugal) - 19hs - domingo (zona norte)

21/08 -Quintal do Baobá - Rua Manoel João Pereira, 228. (antiga Rua Dr. Ulisses Coutinho) Vila Matilde - 18hs - domingo (zona leste)

28/08 -Quintal da Vó Guiomar - Travessa Caetano de Melo Jesus, 70 (entrada pela rua Mauricio Heriarte) - Jd. Shangrilá - 19hs- domingo (zona norte)

terça-feira, 28 de junho de 2011

Aula Pitanga

Aos alunos da formação de dança negra contemporânea a aula do dia 02 de julho de 2011, acontecerá normalmente.
Atenciosamente.
Capulanas

terça-feira, 31 de maio de 2011

Capulanas no " Alicerces da voz, cadências do verbo" dia 11/06/2011


Edições Toró convida para “Alicerces da Voz, Cadências do Verbo: Escritoras de Brasil, América Latina e Áfricas” - 03, 04, 10 e 11 de junho de 2011

Debates, sambas, recitais e cenas - Na Biblioteca Municipal Alceu Amoroso Lima: Rua Henrique Schaumann, 777 – Pinheiros, São Paulo/SP

Em 03, 04, 10 e 11 de junho, sempre às 19hs - Conferir mais detalhes e cartaz do encontro no www.edicoestoro.net

*Sexta-feira 03/06, às 19hs - Voz, Fonte da Letra - Mulheres & Samba:

Raquel Trindade (Pintora, coreógrafa, escritora)

Maria Helena (Embaixatriz do Samba de SP, Presença Histórica na Rosas de Ouro),

Claudia Adão (Porta-bandeira da Flor de Vila Dalila)

Apresentação: Adriana Moreira canta "Elizeth, Clara e Elza"

 

*Sábado 04/06, ás 19hs: África e Américas Negras

Ana Paula Tavares (Poeta de Angola) por Cristiane Santana (Professora e Pesquisadora de Literaturas Africanas)

Paulina Chiziane (Romancista de Moçambique) por Ianá Souza (Pesquisadora de Literaturas Africanas)

Marise Condé (Romancista de Guadalupe) por Luana Antunes (Professora e Pesquisadora de Literaturas Africanas)

Apresentação: "Me gritarón negra", com Danielle Almeida e Luciane Ramos cantando e dançando letras de mulheres negras sul-americanas.

 

*Sexta-feira 10/06, às 19hs: Latino-América

Laura Esquivel (Romancista do México), por Sonia Bischain (Jornalista, romancista e poeta do Coletivo Sarau da Brasa)

Gioconda Belli (Poeta e romancista da Nicarágua), por Carolina Teixeira (Artista plástica e poeta)––

Rigoberta Menchú (contista e líder indígena da Guatemala), por Lucía Tennina (Professora de Literatura na Universidad de Buenos Aires, pesquisadora da literatura periférica de SP)

Apresentação: "Agua de Lluvia", com Amandy González (poeta, atriz e dramaturga paraguaia)

 

*Sábado 11-06, às 19hs – Negras Brasileiras Contemporâneas:

Conceição Evaristo (Poeta e romancista) , por Evani Tavares (Atriz, Pesquisadora de Teato Negro e Escritora)

Maria Tereza (Poeta e Atriz), por Renata Felinto (Artista Plástica, Educadora e Pesquisadora)

Cidinha da Silva (Contista e Cronista), por Flávia Rios (Socióloga e Professora)

Apresentação: "Quando as palavras sopram os olhos... Respiro!" (baseado em textos da escritora cubana Tereza Cárdenas), com Capulanas Cia de Arte Negra.

 

Concepção, curadoria e mediações: Allan da Rosa

ONNIM - Dra. Regina Goulart - Saúde da População Negra - 20/05/2011

Sikassambe
“Um convite cantado para todas as forças da natureza estarem em equilíbrio.”
Regina Goulart é Kota(cargo em sua nação do candomblé) Mulangi (a combatente).
Falar da saúde negra a partir de uma visão africana tem que começar pelo nome, ele tem uma funcionabilidade.
“A canção dos homens” – quando se nasce, você recebe seu nome e sua música, essa vai dizer por que e pra que veio. Quando a pessoa faz algo que tem haver com seu nome, no seu aniversário, em rituais em geral, todos cantam sua canção.
Quando deixamos cadeiras vazias, os inquisis estão presentes.
Falarei da saúde a partir não só do olhar da medicina, mas também de minhas vivências como Kota na religião Banto.
Capulanas e Umoja são espaços potenciais de vida, espaços onde as pessoas exercem a vida.
Médico é a pior pessoa para falar de saúde, pois é treinado para falar de doenças. Saúde é o equilíbrio entre corpo, meio, ancestralidade e o caminho.
Eu alimento o ancestral, meu caminho e a minha cabeça.
A dança alimenta a ancestralidade, quem vê, alimenta a cabeça, pro caminho eu não danço, paro, vislumbro e vou.
Do ponto de vista da medicina não tem raça. Um fóssil não tem como ver como ele viveu, que meio, se negro ou branco. Então temos que pensar em etnia. Algumas doenças são ligadas a origem, mas o racismo, o pensamento de raça superior e inferior, faz com a saúde da população negra esteja ligada as relações de poder.
As categorias: negros, asiático, indígena, foi criada a partir de um poder do branco de nominar o diferente. A pergunta sobre etnia é subtrair esse poder e dar direito a auto declaração.
Uma menina considerada branca, se auto declarou negra e todos ficaram em choque e dizendo que não e ela disse: “Permitam que eu declare o meu amor pela minha mãe.”
Qualquer equipamento de saúde tem medicina chinesa, hoje. É necessário sistematizar as danças negras considerando sua relação com saúde, elas podem diminuir diversas doenças de articulação e muscular. A maior tensão do corpo se acumula no trapézio (músculos dos ombros) e é uma das regiões mais trabalhadas nessas danças. Além promover a circulação de sangue, previne o alzheimer, pois oxigena o cérebro,evita osteoporose, cria identidade, traz equilíbrio.
O capitalismo engoliu a visão de mundo africana. A criança nasce a mãe acha que o neném é nervoso, mas ele tem medo quando tira a roupa, porque estava em lugar apertado e quente e aí é necessária a capulana, trazer o calor do corpo da mãe. É necessário trazer esses valores.
A hipertensão tem que ter um tratamento diferenciado na população negra, a medicação tem que ter um bloqueador de cálcio, pois assimilação do sódio é maior, por isso retemos muito líquido. Captopril não serve.
70% das mulheres negras tem parto vaginal, pois existe o estereótipo de que são mais parideiras e é uma grande mentira, pois são as que tem menor passagem na bacia e adequação ao parto vaginal.
A questão da saúde negra ainda está muito ligada às questões biológicas, mas devemos pensar em outras relações.
Uma criança falciforme, desde 2001, é identificada no exame do pezinho, isso diminui a mortalidade infantil.
O mioma quando detectado nas mulheres negras o procedimento é de arrancar o útero inteiro e na mulher branca só o tumor é retirado.
O povo negro africano não tem hipertensão. Na diáspora forçada era dado sal para reter líquido e os genes são repassados. Os africanos que vivem em meios urbanos ,hoje, têm hipertensão.
O segundo fator de morte da população negra é a violência. As cotas é uma política de enfrentamento da violência, os negros universitários morrem menos. A luta anti manicomial, pois 60% são negros.
“Tornar-se Negro” é um livro de Neuza Santos que fala da cicatriz de ter um corpo não amado.
A questão da saúde mental é muito importante. As mulheres negras têm resiliência, mas é necessário demonstrar a dor. Tá rindo Por quê? Quanto isso gera dor? Não tem como ser forte sempre.
A droga aumenta o consumo pelo nosso povo, pois é uma fuga de estar e ser o que é. A obesidade é gerada pelo exagero no prazer de comer.
Terapia comunitária é nada mais que cantar sua cantiga. Nós cantamos o que somos, a visão de mundo africano saúda o corpo.
Dizer que ama e ser amado. Se eu sou invisível, como vou ser amad@?
Homens negros se transformaram em reprodutores apenas. O estereótipo de “bom de cama”...Quem é “bom de cama” não tem tempo de pôr camisinha...O câncer de próstata tem aumentado entre os homens negros. Há uma banalização das DSTs. A HPV ou antiga crista de galo, pode se transformar em câncer de colo uterino, algumas meninas pegam com 12, 13 anos aos 25 estão com câncer e morrem com 35 anos.
Mas a saúde é possível nesses espaços potenciais de vida, como as comunidades tradicionais de matriz africana.
Cultura e identidade refletem na saúde física.
Quando se está na universidade, lugar de pensamento branco. Como curar a guerra psicológica da solidão? De onde vem a dor? Como dividir essa dor, com quem? Se você não sabe nomear essa busca de tornar-se negro, pode haver a loucura. Essa é uma parte de sua essência e você tem que ter com quem compartilhar.
“Voltei a viver quando me aproximei das questões raciais. Voltei a ter saúde” – Ana Koteban.
Quando você desagrega tem que recolher, se reaproximar de sua ancestralidade.

ONNIM - Prof. Cida Bento - Psicologia social do racismo anti negro - 19/05/2011

Branquitude X Negritude
O que é identidade?
Identidade é sua personalidade.
1- Cruzamento – Nós e o que vem de fora, você traz algo dos seus antepassados, a marca física (fenótipos) e psíquica. Iluminar suas memórias é ser você.
2- Separação – a criança se torna cada vez ela, quando ela se separa da mãe, até os dois anos é como se fosse uma parte da mãe, então é preciso separar para você ser uma coisa inteira.
3- Persistência e Mutação – Ontem e hoje eu sou a mesma coisa, mesmo estando em lugares e situações diferentes.
4- Identificar e constituir o EU – pequena memória de quem eu sou, o que faço, quais meus papéis na sociedade.
5- Identidade, Narcisismo e projeção – se aproximar do que é igual a você também é uma morte, pois mergulha e morre afogado. Reconhecer o outro ,como outro, é um processo doloroso. “Não temos que procurar a nossa metade da laranja, temos que ser uma laranja e encontrar outra inteira.”
6- Identidade e corpo – A regra do racismo é a negação do corpo negro. O corpo é uma imagem fundamental para a construção da identidade negra. Como fazer uma criança desde sempre se ver como uma coisa positiva? Ela ser alguma coisa que as pessoas gostam. A sociedade tem que oferecer diversos modelos para que todas as crianças possam se ver de maneira positiva.
Você passa a vida escolar estudando sobre Europa e EUA e pouco sabe sobre África, isso produz uma lacuna. Com o seu povo positivado é possível trazer uma identidade de um corpo que tenha sensações de prazer. Ajuda trazer memórias positivas, resignificar.
Separados mais iguais.
Identidade Negra
Pesquisa baseada na vida de Malcom X. Separada em 5 estágios.
1 – Preencontro – absorve os valores brancos, internaliza estereótipos negros, busca se afastar de outros negros, a questão racial não tem nada haver com sua vida.
2- Encontro – Vive uma situação de discriminação e constata que ele não pode ser branco, então se aproxima de um grupo que discuta sobre a questão racial.
3- Imersão/Emersão – Tudo que é bom é preto, quer denegrir (tornar negro) as pessoas brancas, se aproxima de coisas valiosas para a negritude. Busca sua própria história, outro contato com você mesmo. Vem a raiva.
4 – Internalização – Passa da fase de dizer quem é mais sofrido, mais preto e começa a ter uma atitude expansiva com negros, se relaciona com brancos que o respeite e se aproxima de outros grupos discriminados.
A identidade é uma espiral, vai e volta, passa pelos mesmos lugares de formas diferentes.
Do mesmo jeito que as loiras são vendidas como modelo de beleza, o jovem negro é vendido como modelo de sexualidade.
Como usar essa força que a gente vai ganhando com a construção da identidade negra? Como sair do discurso e levar pra vida? Como criar formas de enfrentar uma sociedade que tem posta o que é superior?
Clóvis Moura diz que esse tipo de sucesso que foi construído pelos brancos, pode não ser o que eu queira. Temos que pensar: O que te faz feliz?
Diferente dos EUA, os negros no Brasil dão indícios de que se queira uma nova sociedade e não um mundo branco pintado de preto, o conceito de sucesso se tivesse feito pelo nosso povo poderia ser muito diferente.
Brancos têm uma sociedade tecnológica e industrializada, mas os negros teriam tido mais cuidado com as pessoas. (Steve Biko).
Quando a cultura européia se sobrepõe a cultura negra e indígena, só aparece a pior parte das culturas: o negro como escravo e o branco opressor.
Capitalismo é uma expressão da masculinidade branca.
Branquitude pode se assemelhar a negritude, mas o branco nunca vai pensar o que é ser branco. Já o negro se pergunta quem eu sou? Quando fiz essa pergunta em uma dinâmica: O que é ser branco? Responderam: Ser branco é ser como qualquer pessoa.
Uma criança nasce marcada pelas heranças de seus familiares.
Cultura não pode estar dissociada de política. Arte Negra está no cotidiano das casas, das pessoas. Isso é um movimento revolucionário: fazer o que faz bem pra mim. Um pouco é brigar com a sociedade, um pouco é brigar com nós.
“ A gente tem que matar o branco que está dentro de nós” . – Luiza Bairros.
O povo Europeu é particularmente temeroso ao diferente, por isso ele destrói. Caça as mulheres, as bruxas, os demônios, negros, etc.
Um branco ao encontrar com um negro na rua escura, ele teme, pois sempre roubou o povo negro, sabe que o negro terá motivos para se vingar.
No ataque do PCC, a polícia estava apavorada, quem ela atacou? Negros, quem “têm” motivos para revoltar-se.
Os policiais matam jovens negros por eles terem a representação de poder sexual, ele é aquilo que os homens poderosos não são. E a corporação tem o pensamento branco, mesmo que seja um indivíduo negro, ele estará regido pelo aquele pensamento.
O homem branco tem suas marcas também.
Essas são algumas coisas que nos fazem vitimas da violência.
Como podemos não se esquecer das forças acumuladas que temos?

terça-feira, 24 de maio de 2011

ONNIM - Prof. Viviane Lima - Corporalidades negras na festa do Boi –18/05/2011

A relação trabalho e festa, homem e natureza, chegou na relação do homem com o boi. O negro aqui escravizado e o boi domesticado.
Amadu Amaral foi um pesquisador que tentou saber quem influenciou quem e depois não teve menor sentido, pois o boi é um animal que veio pro Brasil no processo de colonização.
A relação do homem africano com a natureza é de uma poesia e complexidade que não teremos entendimento

Na tradição africana não se separa o homem da natureza. São os 20 elementos que formam o ser humano. O criador é a junção de todos esses elementos da natureza e está presente no homem. A idéia de dissociação da natureza é ocidental. Esses 20 elementos vibram no ser humano até que saia a palavra, assim sendo o indivíduo é sua própria palavra. A mentira então é um desvinculamento de você com a natureza, com o criador, com o sagrado e por isso não é necessário escrever, pois a palavra tem poder em si.
O homem só sabe que ele é homem, porque está em contato com a natureza, em relação, e não superior e sim um de seus elementos que vai ser responsável de cuidar de outros elementos.
Num determinado momento com o contato com outras culturas do oriente, começa a aparecer na cultura africana, técnicas de agricultura, o aprendizado se dá a partir da observação de pássaros para saber como semear, do tempo do trabalho com as formigas, enfim respeitar essa generosidade da natureza.
Há contos que não são infantis, mas contados na infância para saber como aquela como aquela comunidade aprendeu a se relacionar com a natureza. Cada comunidade tem um animal Tóten e ele será base para as relações.
O boi em todo mundo se transformou em animal símbolo, mas diferenciado de cultura a cultura, mas geralmente está ligado a poder, pela sua estrutura física e que tudo nele se aproveita, até o berro.
No sudoeste de Angola, os Nanhecas, têm um culto ao boi, essa seria uma possível origem da festa do boi.

Aqui no Brasil se diz que tem origem portuguesa, mas não existe nenhuma comunidade branca que tem festa de boi.
O boi é um animal caro, vem originalmente de Cabo Verde no séc. XVI e vieram pra cá nos mesmos porões que os africanos escravizados, então os dois tem o mesmo patamar na sociedade brasileira. Na cultura africana eram iguais, mas em outras instâncias.
O boi é muito usado para sacrifícios, o mais bonito, mais gordo, era esse que era oferecido ao Soba seu sangue.
Para os Bijagós ( povo africano que habita um arquipélago de Guiné-Bissau), o boi é o animal máximo, o rei é enterrado com a pele, patas e cabeça do boi. Confeccionam máscaras de boi e se transformam. A máscara é um elemento fundamental para ritos de passagens nas comunidades tradicionais africanas, pois não é utilizada para esconder e sim para revelar os ancestrais, por isso cobre todo o corpo e sim o ancestral abençoa.
A relação com o animal muda com a chegada da escravidão, pois ela põe o boi em um lugar utilitário e o homem negro é comparado sendo chamado de “gado humano”, os dois tem o mesmo preço. O homem africano deixa de ter a natureza como aliada e passa a viver a mesma situação de opressão.
A queimadura que é feita no boi, também será usada no homem, as colheras, a vedação do rosto. A domesticação passa a ser referência para a escravidão.
Homem e animal: o escravo está comparado ao animal domesticado e o senhor ao animal de movimento.
RELAÇÕES ANIMAL NOMES
Escravo Boi Mimoso
Senhor Cavalo Veloz
Na relação com as mulheres negras, é em fotografias por exemplo: a mulher passa do exótico para o erótico e na literatura aparece a questão muito presente do cheiro e de sua animalização.
A relação do homem negro com a natureza é resgatada no desenvolvimento da manifestação do Boi Bumba. Mário de Andrade em seu registro usa o boi como elemento de unificação do Brasil, mas não cita o negro como produto desse acontecimento.
No Mali, os Sobobós têm máscaras de Antílopes muito parecidas com o Boi Bumba.
Na Nigéria, a cultura Ioruba, o artista só pode ver se a máscara está boa, no momento da dança, pois é quando ela se torna viva. Essa relação com a ancestralidade é a máscara.
Máscaras são representações artísticas, mas tem que ser um artista que tenha ancestralidade. Então a máscara seria uma dupla habitação: ancestral e descendente.
Bumba meu Boi, Boi Bumba, Boi de Bumba é uma auto tradição da sociedade de escravidão, pois há uma pessoa vestida de boi, o Mateus que é um vaqueiro, a Catirina que é uma mulher grávida com desejo de comer a língua do Boi, quando tira a língua ela perde o poder da fala. A redenção do homem negro, a ressurreição do boi é quando ele volta a dançar.
Homens negros se matavam para virar ancestrais e ajudar os outros escravizados. Na África o indivíduo vivo se encontra com o ancestral e a partir do cristianismo ele tem que morrer para encontrar com o espiritual.
Na vaquejada o mestiço caça o boi que representa o preto escravizado.
O boi no Auto do boi é o melhor boi do senhor. E pode se ver a importância da oralidade, os mascarados não falam, como os orixás no Brasil, só a corporalidade é necessária para que haja a comunicação. A fala é o vínculo visceral com o ancestral, ele não fala, mas lhe é permitido falar por ele.
A fala é importante, pois o escravizado não podia falar seu dialeto, tinham que falar português. A língua foi cortada e ele ressuscita através da dança. O corpo fala, o tambor fala, o canto...Mas a escutar é importante.