O Lugar do Outro?
23, 24 e 25 de outubro de 2013
SINOPSE
O lugar do outro? é uma experiência de troca entre grupos que produzem a partir de diferentes lugares. O espaço geográfico da cidade foi o lugar ponto de partida. Quais são as diferenças de se produzir do centro ou da periferia? O que há de comum? Como evitar, de um lado, a estigmatização e, de outro, a neutralização dessas diferenças? Mas há ainda outros lugares em jogo: a divisão entre linguagens, a posição de cada grupo na cena. Espaços simbólicos que também têm seus centros e periferias.
Dois grupos que produzem nas margens da cidade, Coletivo Teatral Dolores Boca Aberta e Capulanas Cia. De Arte Negra, sugeriram seus "outros" para desenvolver um processo de convívio/ocupação. Dolores escolheu um grupo que também trabalha o teatro, mas que está sediado no centro: a Cia Antropofágica. E Capulanas, um grupo que também está sediado numa região periférica, mas que transita por outras linguagens: o Clariô.
O projeto, proposto pelo Núcleo de Artes Cênicas do Itaú Cultural, teve consultoria de Maria Carolina Vasconcelos Oliveira.
23 de outubro
Capacidade: 70 lugares
Ingressos: GRATUITO
Classificação Indicativa: livre
Sala Vermelha
11h
O lugar do outro?
Serão discutidas dimensões que foram centrais na concepção do projeto: convívio, diversidade, ocupação, centros e periferias e produção cultural como intervenção na cidade.
Apresentação e Mediação: Sônia Sobral
Falas norteadoras:
- Maria Carolina Vasconcelos Oliveira: Diversidade e convívio: reconhecimento de novos atores na "cultura", mudanças de paradigma nas políticas culturais, quebra de privilégios das classes artísticas institucionalizadas.
- Tiaraju Pablo D'Andrea: Centros e periferias: o sujeito periférico, produção cultural nas margens da cidade.
- Amanda Freire (Cia. Antropofágica de Teatro) : Produção cultural como intervenção na cidade: a cidade como palco
15h
Formas de organização e sobrevivência: a produção cultural nas margens da cidade
O foco são as formas de viabilização das produções culturais realizadas nas margens da cidade, tanto relacionadas a financiamento como relacionadas a modelos de organização.
Mediação: Ana Paula do Val
Falas norteadoras:
- Gil Marçal: financiamento e apoio a produções culturais das periferias da cidade de São Paulo. Importância, histórico e novas perspectivas.
- Aline Maria (Agência Popular Solano Trindade): formas de organização que viabilizam a produção cultural na periferia. Estratégias, dificuldades, perspectivas. Foco: trabalho em coletivo, moeda, viabilidade econômica.
- Luciano Carvalho(Coletivo Dolores Boca Aberta Mecatrônica de Artes): formas de organização que viabilizam a produção cultural na periferia. Estratégias, dificuldades, perspectivas. Foco: trabalho em coletivo, ocupação de um espaço público; acesso ao Fomento e aos recursos públicos.
- Rita Maria(Sacolão das Artes): ocupação de espaço público, gestão participativa/comunitária.
19h
NOVAS ESTÉTICAS E NOVOS PARÂMETROS
A emergência de novas vozes e novas produções na cena cultural da cidade nos obrigam a repensar antigos parâmetros de estética e crítica. Buscaremos levantar esses questionamentos e discutir sobre quais questões estéticas envolvidas no processo dos 4 grupos participantes do projeto.
Fala norteadora:
- Valmir Santos: necessidade de (re) pensar a crítica, superando dicotomias como profissional x amador, social x cultural, etc. Militância como estética.
Sobre o projeto O lugar do Outro?: Priscila Preta (Capulanas Cia. De Arte Negra), Naruna Costa (Grupo Clariô de Teatro), Danilo Monteiro (Coletivo Dolores Boca Aberta Mecatrônica de Artes) e Tiago Vasconcelos (Cia. Antropofágica de Teatro).
24 de outubro às 20h
Duração:120 min (aproximadamente)
Capacidade: 219 lugares
Ingressos: GRATUITO
Classificação Indicativa: livre
Sala Itaú Cultural
Apresentação da experiência cênica: Coletivo Teatral Dolores Boca Aberta + Cia. Antropofágica de Teatro.
SINOPSE
Os encontros entre os grupos Dolores e Antropofágica buscam a interação estética entre os coletivos e, evidentemente, as intersecções políticas, uma vez que partilham a compreensão do caráter indissociável destes fatores. Buscaremos as particularidades de seus universos principalmente no que tange a dicotomia centro e periferia para, por fim, ampliar horizontes no intuito de encontrar elementos de unidade discursiva e formal.
25 de outubro às 20h
Duração: 40 min (aproximadamente)
Capacidade: 219 lugares
Ingressos: GRATUITO
Classificação Indicativa: livre
Sala Itaú Cultural
Apresentação da experiência cênica: Capulanas Cia. De Arte Negra + Grupo Clariô de Teatro
SINOPSE
Os Grupo Clariô de Teatro e Capulanas Cia de Arte Negra construíram suas histórias de vida e arte enraizadas na Periferia da Zona Sul de São Paulo. Pelo simples fato de cultivarem suas atividades em locais “adversos” ao circuito cultural paulista, fez com que suas obras dialogassem em pensamento estético e politico. Clariô e Capulanas já há alguns anos mantem uma troca artística em mostras, em movimentos culturais e em Saraus. A afinidade artística tem sido um disparador para permanentes encontros. O projeto “O Lugar do Outro?” promovido pelo Itaú Cultural antecipou uma aproximação cênica entre os dois grupos, em que, elementos da corporeidade do ator negro, da musicalidade afro-regional-brasileira e também da narrativa cênica periférica, constroem um processo baseado no confronto de cenas já criadas em outras encenações convergidas no processo cênico chamado TRAVESSIAS DO FEMININO ENCRUZILHADAS NA ARTE NEGRA.
terça-feira, 15 de outubro de 2013
terça-feira, 3 de setembro de 2013
Capulanas estréia novo espetáculo: Sangoma.
O espetáculo discute temas relacionados à saúde das mulheres negras. Seis mulheres Sangomas habitam uma casa sagrada com laços ancestrais. Mulheres que romperam o silêncio, compartilham suas histórias de vida e seus caminhos para chegar à cura.
Todos os sábados de 21 de setembro a 09 de novembro as 20hs.
Retirar ingresso com uma hora de antecedência.
Lotação 30 lugares.
Todos os sábados de 21 de setembro a 09 de novembro as 20hs.
Retirar ingresso com uma hora de antecedência.
Lotação 30 lugares.
terça-feira, 16 de julho de 2013
quinta-feira, 6 de junho de 2013
Projeto Sangoma - 5° Onnim - 08,15, 22, 29 de junho de 2013
quarta-feira, 15 de maio de 2013
quarta-feira, 3 de abril de 2013
Projeto Sangoma - Oficina de Percussão com Mestre Rabi.
terça-feira, 26 de março de 2013
CARTA MANIFESTO
SOBRE O ROMPIMENTO DOS COLETIVOS DE TEATRO NEGRO DE SÃO PAULO COM A “MOSTRA DA NOVA DRAMATURGIA DA MELANINA ACENTUADA”.
“Negros que escravizam e vendem negros na África não são meus irmãos
Negros senhores na América a serviço do capital não são meus irmãos
Negros opressores em qualquer parte do mundo não são meus irmãos...”
(Trecho do poema “OS NEGROS” de Solano Trindade).
O MOVIMENTO DE TEATRO NEGRO DE SÃO PAULO manifesta aqui toda sua indignação e perplexidade diante do tratamento desrespeitoso direcionado aos coletivos de teatro: CAPULANAS CIA DE ARTE NEGRA, OS CRESPOS, COLETIVO NEGRO E GRUPO CLARIÔ DE TEATRO, pela curadoria e coordenação da "MOSTRA DA NOVA DRAMATURGIA DA MELANINA ACENTUADA”, que ocorre na Cidade de São Paulo, desde novembro de 2012, no TEATRO DE ARENA EUGÊNIO KUSNET, financiada pelo EDITAL DE OCUPAÇÃO DO TEATRO DE ARENA EUGÊNIO KUSNET/ 2012 (2º SEMESTRE).
É com tristeza que anunciamos nossa inevitável retirada, no mês de fevereiro de 2013, do “evento” supra-citado .
Somos coletivos comprometidos com a politização de questões raciais e sociais no teatro, e nosso reconhecimento é legitimado pelo público, movimentos sociais e crítica, que reconhecem a qualidade estética de nossos trabalhos e a importância da militância político-artística no centro e nas periferias de São Paulo.
Para nós, a ocupação histórica do teatro de Arena - espaço de referência e luta desde a década de 50 no Brasil - pela Mostra referida, era mais um passo importante na trajetória do Teatro Negro brasileiro e, por este motivo, havíamos nos colocado à inteira disposição para seu fortalecimento. Disponibilizamos nossas obras, corpos e pensamentos, a fim de somar forças, estabelecer trocas e propiciar um passo fundamental na conquista de novos olhares, rumo à dramaturgia negra do século XXI. No entanto, no decorrer do processo de nossas participações, observamos um olhar estrangeiro, contraditório e, finalmente dissimulado e desrespeitoso, por parte do coordenador/curador/idelizador da Mostra: Aldri Anunciação. Por vezes tentamos dialogar, mas apesar do discurso aparentemente ser o mesmo, os modos de trabalho moram em pólos diferentes: apropriação não é pertencimento.
Inúmeras falhas ocorreram durante o processo. É evidente que a legitimade de uma mostra de dramaturgia negra em São Paulo se dá pela força de atuação dos coletivos locais, porém o desconhecimento e falta de interesse do curador à respeito da trajetória de cada coletivo, desembocou em uma série de incoerências. Em meados de setembro de 2012 os grupos foram sondados para participar da Mostra, sendo que alguns, depois de iniciados os contatos, foram simplesmente ignorados durante o processo de negociação. Em contraponto, outros foram incluídos na programação antes do fechamento de sua participação; datas foram modificadas sem acordo; materiais de divulgação expostos com inúmeras falhas, retirados da internet sem consentimento. Uma absoluta desorganização e falta de comprometimento que, até certo momento relevamos, na tentativa de compreender e preservar a Mostra.
Descobrimos que o esforço e parceria por nós ofertados não era recíproco. Os Grupos paulistas fecharam sua participação na Mostra por uma “ajuda de custo”(já que o que nos foi informado era que a verba destinada era pouca, para o tanto que queriam e iriam produzir). Nós topamos, como já foi dito, por questões ideológicas. No entanto, os coletivos tomaram conhecimento do tratamento diferenciado ao elenco do Rio de Janeiro. Era discrepante a diferença financeira oferecida à produção carioca, em relação ao cachê. Pedimos um encontro para esclarecimentos e exigimos tratamento igualitário. Em reunião, o coordenador da Mostra deu continuidade ao mau tratamento, enfatizando haver de fato uma separação entre trabalho de grupo: “os que participam pela causa”; e elenco: “os que participam pelo cachê”. O rumo da prosa foi a lógica de Mercado, e o discurso político foi transformado em valores. Diante disso, não poderíamos chegar a outra conclusão senão, a de que estávamos sendo EXPLORADOS EM NOSSA PRÓPRIA CASA e usados para legitimar uma proposta que não passava de cartaz.
Lembrando novamente do irmão Solano:
“Quando eu nasci,
Meu pai batia sola,
Minha mana pisava milho no pilão para o angu das manhãs…
Portanto eu venho da massa. Eu sou um trabalhador.”
(Trecho do poema “autobiográfico”, de Solano Trindade)
Nós somos trabalhadores e dizemos: NÃO!
NÃO aceitamos permanecer na MOSTRA, porque os meios utilizados NÃO nos levaram a um mesmo fim ideológico, que antecede qualquer questão financeira: o respeito, a confiança, a parceria, a verdade.
Nós: OS CRESPOS, CAPULANAS CIA DE ARTE NEGRA, COLETIVO NEGRO E GRUPO CLARIÔ DE TEATRO rompemos.
Após o rompimento (que primeiro foi comunicado aos organizadores da Mostra), solicitamos uma carta de retratação por parte da coordenação, que foi resumida com a frase: “POR MOTIVO DE FORÇA MAIOR”.
E é por MOTIVO DE FORÇA MAIOR: R E S P E I T O (com nós mesmos, nosso público, nosso posicionamento político-ideológico, a história do teatro negro brasileiro, nossos sonhos e obras), que nos afastamos da Mostra.
Acreditamos que nossa ruptura pode contribuir para a evolução das próximas mostras e para o compromisso, respeito e ética com as futuras apresentações destes, e outros coletivos.
NOTA:
Desde nossa saída estamos sendo acusados de boicotar o evento por descontentamento financeiro”, e responsabilizados pelo esvaziamento das atividades propostas na programação (falha de divulgação da organização).
Esperamos que nosso desabafo-manifesto sirva de esclarecimento ao nosso público e interessados sobre os reais motivos de nossa retirada e, que os mesmos compreendam e apoiem a nossa decisão.
Aqui também, anunciamos nosso respeito e consideração aos inúmeros participantes da “MOSTRA DA NOVA DRAMATURGIA DA MELANINA ACENTUADA”, mestres que por ali passaram e passarão, parceiros de luta, trabalho e vida. Irmãos. Bem como os parceiros cariocas, que nada tem a ver com a displiscência da organização desta Mostra de Dramaturgia Negra.
Axé.
Esta é uma posição coletiva.
São Paulo, 23 de março de 2013.
Movimento de Teatro Negro de São Paulo.
“Os tambores não são mais pacíficos
Até as palmeiras têm amor à liberdade”.
(Trecho do poema “Canto dos Palmares” - Solano Trindade)
Para maiores esclarecimentos:
GRUPO CLARIÔ DE TEATRO: www.espacoclario.blogspot.com
COLETIVO NEGRO: www.coletivonegro.blogspot.com
OS CRESPOS: www.ciaoscrespos/facebook.com
CAPULANAS: www.ciacapulanas.blogspot.com
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