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quinta-feira, 23 de julho de 2009

Samba de roda -Salvador



Nesta viagem o samba de roda nos chamou por duas vezes. A primeira foi quando voltávamos de uma apresentação no Teatro Gamboa, no caminho encontramos um boteco com uma roda de samba do recôncavo. Entre todos os componentes do grupo que tocavam tinha um que chamava muito a atenção, ele era o mais velho da roda e tocava Cuíca. Apesar da Cuíca não ser um instrumento característico do Samba de Roda do Recôncavo, o senhor Martinho da Cuíca era o “próprio samba”, com tanta propriedade, graça, beleza e alegria o seu corpo respondia a música com a Cuíca. Ficamos no boteco até o samba acabar.
Fomos visitar a cidade de Santo Amaro da Purificação e no passeio
fomos abordados por menino falando que adorou a diversidade
de cabelos crespos que nós tínhamos e que seu pai não deixava o cabelo
dele crescer black power por preconceito, então ele tinha que admirar os dos outros.
Papo vai papo vem e o garoto perguntou de onde nós éramos, o que
estávamos fazendo lá e se tínhamos conhecido a Casa do
Samba. Respondemos que não e ele nos ensinou a chegar.
Foi o segundo chamado.
A Casa do Samba foi inaugurada em 14 de setembro de 2007 e é
administrada pela Associação dos Sambadores e Sambadeiras do Estado da Bahia.
O espaço hoje é o Centro de Referência do Samba do Estado da Bahia, onde temos um acervo sobre a história do Samba de Roda da Bahia e conta a trajetória da dessa herança Africana na Cultura oral passada
de geração em geração nas famílias do Recôncavo. Desde os primeiros
registros em 1860 nos cultos aos Orixás, no jogo de Capoeira como vemos
e vivenciamos até hoje e no encontro com a cultura Portuguesa também,
agregando alguns elementos como por exemplo a própria língua, a viola que é um instrumento hoje importante no samba.
A Associação esta mapeando os grupos que até hoje resistem nessa cultura, já temos 68 grupos catalogados em toda a região da Bahia. Ela também promove encontros dos grupos na Casa do Samba para a
comemoração das datas religiosas ou até mesmo para apresentação e
divulgação dos grupos para conhecimento da própria comunidade local
que está ausente.
Lembra do senhor Martinho da Cuíca?
Nós encontramos com ele no mesmo dia em Santo Amaro vendendo quadros cedidos por um amigo na feira. A graça e a alegria não eram as
mesmas. Ficamos sabendo depois que ele era mestre dos tempos extintos
das escolas de samba em Salvador ou seja um Baluarte.
Quando falamos de Samba de Roda do Recôncavo hoje, estamos falando de Patrimônio da Cultura Negra e agora Patrimônio da Humanidade.
Nos elucida para a Diáspora Africana esse quadro de senhoras e
senhores remanescentes quilombolas e mantenedores dessa Cultura que
não vivem de arte, mas vivenciam por que ela faz parte do cotidiano e
enquanto estiverem vivos darão continuidade nessa forma de
expressão.

Texto de Flávia Rosa.
Contrapartida MINC

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